


Portas fecham, portas abrem. Ao compasso do ritmado sapateado que percorre os afluentes corredores de um Cais do Sodré em hora de ponta, uma remota multidão antecipa-se sobre si mesma. Tudo aquilo é um jogo de ultrapassagens que arruma qualquer Estrada Nacional a um canto. Vê-se uns quantos a passo de jogging. Outros, mais atrasados, desenham curvas e ganchos apertados, que tantas vezes acabam numa escada rolante que deixou de funcionar. O Metro é isto, uma épica jornada de stress, na luta por um modesto metro quadrado na carruagem que nos levará ao destino.
E que tal um pouco de música?
Um pouco, tipo um mês.
Será porventura o mais improvável de todos os palcos, o Metro. Mas porque quando de música se fala, valores mais altos se levantam, tomem lá nota: de 1 a 27 de Outubro, há festival debaixo de terra. MP3s, para que vos quero? Soltem o festivaleiro que (não) existe em vós, abandonem o conforto dos “popós” e venham usufruir deste outrora transporte, agora concerto ambulante.
O nome de batismo é Festival Música a Metro. Entre showcases móveis, concertos intimistas, entrevistas e happenings, serão mais de 40 iniciativas em quatro das mais movimentadas estações de Metro de Lisboa, a saber, Cais do Sodré, Marquês de Pombal, Campo Grande e Aeroporto. Uma nota, aqui, para os showcases: que se cuidem os adeptos do sudoku nos lugares sentados, já que em Outubro até nas carruagens haverá concertos a preencher a melancolia de uma ida para o trabalho.
Ainda há dúvidas? É ir!
Um conceito que prima pela diferença, numa tentativa de encurtar as arestas que separam pessoas, música e cidade. Para já, o projeto vai contando com a ajuda de um cartaz ambicioso, que inclui nomes como António Zambujo, Youthless, Filho da Mãe, We Trust e Long Way to Alaska, entre outras jovens-promessas da música portuguesa.
Sem patrocínios nem tão pouco quaisquer fins lucrativos, o Música a Metro foi alavancado por um conjunto de parcerias com músicos, editoras, promotoras, escolas de música e diversos meios de comunicação que abraçaram a ideia num regime voluntário.
Nós, contribuintes de uma estatística que regista 3 milhões e meio de entradas diárias no Metro, teremos de fazer o resto. Um bilhete de ida com a promessa de ser de volta é o que podemos esperar.
Eu vou.
Fonte das imagens: https://www.facebook.com/FestivalMusicaAMetro